Um país com uma independência forte

A República Democrática Popular da Coreia é globalmente conhecida como sendo um país extremamente independente dada a perseverança dos princípios da independência política, da auto-suficiência económica e da auto-suficiência da sua defesa nacional.

domingo, 2 de agosto de 2015

Visite a RDP da Coreia: Excursão de Outubro de 2015


As nossas excursões tornaram-se extremamente populares entre os membros da KFA e não só, qualquer pessoa pode participar nas nossas viagens e experienciar a Coreia do Norte afastada dos trilhos turísticos habituais e interagir directamente com os cidadãos norte-coreanos. Um visitante que se junte a uma delegação da KFA não será tratado como um turista mas como um amigo da RDPC, tendo acesso a locais, informações e eventos que se encontram vedados aos turistas normais. 

Para os empresários é também a única porta de entrada capaz de garantir uma relação comercial e eficaz com o governo.

Outubro de 2015

70º Aniversário do Partido dos Trabalhadores da Coreia
(excursão de 6 a 13 de Outubro de 2015)

Prazo Para a Pré-Inscrição: 25 de Agosto de 2015

A Associação de Amizade Coreana (KFA), o organismo internacional em que se insere a Associação de Amizade Luso-Coreana (KFA Portugal), está a organizar uma visita à RDP da Coreia (Coreia do Norte) de 6 a 13 de Outubro de 2015 (8 dias e 7 noites) por ocasião da um feriado extremamente importante: o 70º aniversário do Partido dos Trabalhadores da Coreia. As vagas disponíveis para esta excursão são extremamente limitadas e as reservas dependem da confirmação da sua subscrição.  

A KFA dá-lhe a oportunidade de conhecer o país, o povo, a sociedade e a sua cultura num ambiente respeitoso e inserido num grupo restrito, com a possibilidade de discutir projectos, intercâmbios culturais e oportunidades de negócio com o governo norte-coreano.

Estão convidados a participar os portadores de todos os passaportes, com as seguintes excepções: Estados Unidos da América, República da Coreia (Coreia do Sul) e Japão devido a protocolos especiais nas relações bilaterais com esses países.

Os participantes na nossa delegação serão aceites de acordo com a ordem de chegada (pré-inscrição) e após clarificarem todos os pormenores e condições.

Não se trata de uma viagem turística vulgar, trata-se de uma excursão cultural na qual se espera que os visitantes interajam e se comportem de modo adequado. Um visitante que se junte a uma delegação da KFA não será tratado como um turista mas como um amigo da RDPC, tendo acesso a locais, dados, informações e eventos do Estado que se encontram vedados aos turistas.

Os delegados da excursão da KFA serão recebidos pela Comissão Para as Relações Culturais com Países Estrangeiros e receberão um visto oficial da RDPC no seu passaporte.

O programa foi organizado de modo a ser adequado para todas as idades e não requer quaisquer habilidades ou esforços especiais.

AVISO PRÉVIO

A KFA não se responsabiliza por quaisquer danos pessoais, materiais ou por quaisquer outros problemas relacionados com esta excursão, oferecemos os nossos serviços na qualidade de organização consultora entre as autoridades da RDPC e o “participante”.

Caso o “participante” queira quaisquer coberturas ou seguros, é da sua plena responsabilidade contratar e implementar os mesmos.

Não é permitida a participação de quaisquer cineastas, jornalistas ou pessoas relacionadas com quaisquer outros meios de comunicação social.

PREÇOS DA EXCURSÃO

Preço normal: 2.350€
(O preço é por pessoa, quer se trate de uma reserva para um quarto individual ou para um quarto duplo)
Preço para portadores de um cartão de sócio da KFA: 2.200€
(desde que possuam o cartão há mais de um ano)
Para informações acerca do cartão de sócio da KFA consulte:

O preço inclui (na RDP da Coreia):

- Todos os transportes na RDPC;
- 7 noites num hotel de 3 ***, próximo na Praça Kim Il Sung;
- Pequeno-almoço, almoço e jantar (a-la-carte) e água a acompanhar as refeições;
- Entrada em todos os museus, monumentos e espectáculos do aniversário;
- Guias que falem inglês/espanhol/alemão/francês/russo dependendo da composição final do grupo da excursão;
- Participação em todas as actividades.

Basicamente todas as despesas enquanto se encontrar na RDPC excepto as recordações e as bebidas extra. 

Na RDPC teremos à sua disposição 24 horas por dia médicos e hospitais caso tenha algum problema de saúde.

DESPESAS ADICIONAIS

550€ pagos antecipadamente até 25 DE AGOSTO para cobrir o voo Pequim-Pyongyang-Pequim, o visto da RDPC e as tarifas aeroportuárias. 

O valor da excursão (2.350€) será pago na íntegra em Pequim a 5 DE OUTUBRO (aceitamos apenas dinheiro em EUROS).

O participante deverá pagar do seu próprio bolso:

1 – O voo do seu país para Pequim;
2 – O visto chinês (deverá requisitar um visto com entrada dupla ou, caso seja elegível, um visto de livre trânsito);
3 – A sua estada na China bem como o transporte para o aeroporto de Pequim;
4 – O voo de Pequim de regresso para o seu país.

NOTAS:

Os participantes que não respeitem os regulamentos da RDPC serão tratados de acordo com a lei nacional da RDPC.

Qualquer participante que não siga os conselhos e as indicações da KFA será expulso da delegação sem quaisquer apelos ou devoluções.

Os cartões de crédito (Visa, AMEX, Mastercard) são aceites na China mas não podem ser utilizados na RDPC.

Os multibancos chineses só dispensam moeda em YUAN RENMIMBI. Não é possível levantar EUROS. 

Deverá trazer duas fotografias a cores tipo passe para o visto da RDPC.

Objectos proibidos na RDPC:
Câmeras de vídeo, plantas, animais, drogas, explosivos, armas, qualquer tipo de pornografia, propaganda impressa. 

Objectos permitidos na RDPC:
Telemóveis, máquinas fotográficas (análogas ou digitais), portáteis (desde que não disponham de rádio de longo alcance), PDA, leitores de CD, MP3, livros ou revistas para uso pessoal.

Outros objectos além destes podem ser inspeccionados pelos serviços de imigração.

LEMBRETE DOS PRAZOS:

A PRÉ-INSCRIÇÃO TERMINA A 25 DE AGOSTO DE 2015.
As pessoas que não efectuem a pré-inscrição não podem participar na excursão.
A 25 DE AGOSTO DE 2015 termina também o prazo para o PLENO processo de inscrição, as pessoas que não tenham providenciado todos os dados necessários ou os 550€ da inscrição não poderão participar na excursão.

Quaisquer dúvidas devem ser remetidas ao e-mail: korea@korea-dpr.info
Telefone: +34 697973473

PROCESSO DE PRÉ-INSCRIÇÃO

1. Envie um e-mail para korea@korea-dpr.info com os seguintes dados:

Excursão em que deseja participar:
Nome:
Sobrenome:
E-mail:
Telefone:
Data de Nascimento:
Número do Passaporte:
Nacionalidade do Passaporte:

A pré-inscrição não requer o pagamento de quaisquer emolumentos e pode ser cancelada em qualquer altura desde que nos informe.

2. Aguarde pela confirmação da recepção do seu e-mail. Ser-lhe-á enviado um número de referência.

3. ANTES DO DIA 25 DE AGOSTO DE 2015 aceda ao nosso portal:


Adicione ao cesto de compras e completa a compra (são aceites os principais cartões de crédito)

Opcionalmente: remeta os 550€ referentes à sua reserva por PayPal para o endereço korea@korea-dpr.com

Nesta altura o seu bilhete de avião (Pequim-Pyongyang) e o seu quarto de hotel encontrar-se-ão reservados e iniciar-se-á o processo de requisição do seu visto.

Caso decida cancelar a sua viagem, os 550€ da reserva não serão devolvidos uma vez que serão utilizados para cobrir todas as despesas administrativas e de cancelamento.

Se por alguma razão o seu visto de entrada na RDPC for recusado ou um problema de força maior nos obrigue a cancelar a viagem, os 550€ serão devolvidos via PayPal.

4. Receberá uma confirmação referente à recepção do seu pagamento.

Agora terá que marcar pelos seus próprios meios um voo do seu país para Pequim bem como a sua estadia na mesma (no caso de Portugal, terá que adquirir passagens para os voos Lisboa-Pequim na ida e Pequim-Lisboa na vinda, a KFA só assegura os voos Pequim-Pyongyang e Pyongyang-Pequim).

Dependendo da sua nacionalidade e do tempo de estadia na China, pode ter que contactar a embaixada ou consulado chinês mais próximos e requisitar um visto de DUPLA ENTRADA para as datas em que irá viajar. Muitos passaportes NÃO NECESSITAM DE UM VISTO CHINÊS e pode requerer um visto de trânsito válido por 72 horas nos aeroportos chineses.

Lista de países que podem requerer um VISTO GRATUITO válido por 72 horas na China: Argentina, Áustria, Austrália, Bélgica, Albânia, Bósnia e Herzegovina, Brasil, Brunei, Bulgária, Canadá, Chile, Croácia, Chipre, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Macedónia, Malta, México, Holanda, Nova Zelândia, Polónia, Portugal, Qatar, República de Montenegro, Roménia, Rússia, Sérvia, Singapura, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Suécia, Suíça, Emirados Árabes Unidos, Ucrânia e Reino Unido.

5. NO DIA 25 DE AGOSTO receberá os pormenores e o horário referente ao nosso ponto de encontro em Pequim. Antes da partida receberá uma introdução básica aos princípios da cultura coreana bem como algumas dicas/conselhos que lhe poderão ser úteis.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS REFERENTES A DESPESAS EXTRAS:

Brevemente.

sábado, 1 de agosto de 2015

A Coreia do Norte e a noção de controlo, entrevista com Alejandro Cao de Benos


Em linhas gerais, no Ocidente pouco ou nada se sabe acerca da realidade social na Coreia do Norte. A maior parte das informações chegam-nos repletas de propaganda ou de parcialismo por parte de certos órgãos de comunicação social e, assim sendo, há uma tendência notória para a simplificação e, nalguns casos, para a banalização do que acontece nesse país asiático.

Assim sendo, ainda menos se conhecem os contornos que assume o controlo social na Coreia, pelo menos da perspectiva que têm acerca deste os seus próprios representantes. O Direito a Réplica tentou obter – e conseguiu – uma entrevista virtual exclusiva com Alejandro Cao de Benos, um cidadão de origem espanhola que é, já desde algum tempo, o representante oficial da Coreia do Norte nas suas relações com o Ocidente e delegado especial honorário da Comissão Para as Relações Culturais com Países Estrangeiros. Sugerimos que levem a cabo uma leitura meticulosa e exaustiva das suas respostas, pois estas conseguem – dada a sua singularidade e potencialidade – trazer-nos novos debates e polémicas sobre aspectos e questões que se converteram praticamente em orientações para a nossa vida quotidiana. Abaixo encontram a entrevista realizada com Alejandro Cao de Benos.

DR – No Ocidente diz-se que para se conseguir avaliar as condições democráticas de uma nação, é necessário avaliar como esta trata os seus presos. Na América Latina, e atrevo-me a dizer que em todo o mundo ocidental (embora admitindo aquelas excepções que confirmam a regra) as cadeias propriamente ditas já são por si só uma demonstração da desumanidade global. Quais são as condições das prisões na Coreia do Norte?

ACB – As prisões são normalmente cooperativas de quintas ou plantações madeireiras e mineiras em regime fechado. Os criminosos que tenham sido condenados trabalham num regime disciplinado semelhante ao de um aquartelamento militar. Têm que trabalhar obrigatoriamente 8 horas por dia e dedicar o seu tempo ao estudo e à formação até à sua reinserção na sociedade. Existem reduções de pena por bom comportamento bem como amnistias em datas predeterminadas, como o dia 1 de Agosto.

DR – O sistema penal coreano é selectivo? Ou seja, só os mais desfavorecidos e desamparados da sociedade é que vão presos? Na América Latina as prisões estão cheias de pobres, marginais, toxicodependentes, etc. Como é o panorama na Coreia?

ACB – Lá nada é selectivo. De facto não existe o sistema de fianças como há noutros países, o qual permite que os mais abonados se evadam às suas penas. O fuzilamento do General Jang Song Theak demonstra que ninguém escapa às leis da República, por mais alta que seja a sua patente militar.

DR – Já escutamos noutras entrevistas suas que a pena de prisão na Coreia inclui a obrigatoriedade dos reclusos trabalharem (alguns apodam-no de “trabalho forçado”) e que esse trabalho deve realizar-se como forma de retribuição à sociedade pelo prejuízo cansado com o delito cometido. É verdade?

ACB – Exactamente. Trata-se de trabalho forçado porque se determinada pessoa é um criminoso então deve devolver à sociedade aquilo que lhe retirou, sem receber um ordenado e sem possibilidade de sair do perímetro estipulado para tal.

DR – Assim sendo, como se leva a cabo na Coreia a “reinserção” ou “ressocialização” dos reclusos quando estes regressam ao mundo livre? São preparados para uma nova vida em sociedade? São-lhes facilitados tratamentos ou alguma outra abordagem nas prisões? Existem organismos estatais que se ocupem dos libertos para facilitar a sua reinserção na sociedade?

ACB – A reinserção é aplicada em todas as penas menores, como os pequenos furtos. Nessa situação o culpado realiza trabalhos em regime aberto e em contacto com a população, como a limpeza de parques e jardins. Nos casos mais graves a reinserção formaliza-se mediante a frequência obrigatória de cursos académicos, línguas estrangeiras, etc. O Conselho de Ministros tem um gabinete responsável por essa reinserção e, tal como sucede aos restantes cidadãos, atribui uma casa gratuita e um emprego a todos aqueles que cumpriram a sua pena.

DR – Na Coreia compreende-se que a uma infracção ou um delito, seja este de maior ou menor gravidade, corresponde sempre um castigo?

ACB – Não. Não, se não for grave a infracção pode resolver-se com o reconhecimento dessa falha por parte do autor e a promessa do mesmo, perante os seus familiares e colegas de trabalho, de que não voltará a acontecer.

DR – Em princípio assenta a necessidade social de castigar alguém? Conhece os pontos de vista ocidentais acerca do que justifica um castigo estatal. Que semelhanças e diferenças encontra em ambos os sistemas?

ACB – Como existem seres humanos que decidem prejudicar a sociedade por egoísmo, inveja, ódio, etc., tem que existir um sistema punitivo que obrigue à boa consciência do delinquente para que este evite cometer um crime por receio do castigo que lhe está associado. Eu defini-lo-ia como um porta-voz da consciência. Para manter a harmonia social e a ordem são necessárias uma série de medidas em qualquer sociedade. A diferença mais importante seria que na Coreia fazemos muito uso do sentimento de honra e moral como elemento integrador. Um delinquente na Coreia sabe que quando sair da prisão a sua honra estará manchada por muito tempo, no Ocidente, por outro lado, às vezes os delinquentes chegam a converter-se em verdadeiros heróis e até lhes cantam odes.

DR – Sabemos que negou em mais de uma ocasião a existência de campos de concentração na Coreia. Contudo, por outro lado, admitiu que existem “campos de trabalho”. Em que consistem esses campos?

ACB – Os campos de concentração referem-se no imaginário colectivo aos campos do nazismo, para os quais as pessoas eram enviadas por causa da rua raça, religião ou tendência sexual. Este termo continua a utilizar-se como propaganda imperialista para diabolizar a Coreia e manipular a população de modo a acreditar que o que existe na Coreia é algo similar. Nada está mais longe da verdade. Como tenho referido, um campo de trabalho é como uma cadeia em Espanha ou no México, com a diferença de que os presos não passam o dia a drogar-se, a preguiçar ou a subornar os funcionários. Na Coreia existe um regime militar e há que trabalhar, queira-se ou não.

DR – Quantas pessoas privadas da sua liberdade existem, aproximadamente, na Coreia?

ACB – Esses dados não se encontram disponíveis mas são poucas, tendo conta que eu próprio em 24 anos só testemunhei 4 delitos menores. Tal deve-se à enfase que se atribui à prevenção dos delitos mediante a educação e ao facto das penas serem fisicamente duras, razões pelas quais os cidadãos estão cientes de que na RDPC o crime não compensa.

DR – Existem na Coreia instalações genéricas para o internamento de doentes mentais? Quais serão, neste caso, as condições e características desses locais?

ACB – No caso dos doentes mentais existem centros adequados para o seu internamento, assistência e controlo nas 24 horas do dia. Não diferem muito de um hospital, com a excepção de que dispõem de muito mais pessoal para tratar de cada paciente e do tratamento ser mais familiar e personalizado. 

DR – Mudando de assunto, queríamos perguntar-lhe quais são as formas de assédio e coacção que a Coreia do Norte sofre por parte do imperialismo e dos seus aliados? 

ACB – São múltiplos e variados. Habitualmente há o assédio armado que começou nos anos 50 com a invasão da República por parte do imperialismo norte-americano. As manobras militares de treino e simulação para a ocupação da RDPC ocorrem a cada 3 meses nas bases existentes no Sul. Depois temos o bloqueio comercial sistemático com o intuito de asfixiar a nossa economia, outras formas importantes são as tentativas de sabotagem e terrorismo para criar instabilidade e originar grupúsculos dissidentes entre a população que eventualmente, e uma vez armados pela CIA, possam derrubar o governo popular como fizeram na Líbia, na Síria, etc.

DR – De que maneira influenciam esse tipo de coacções a Coreia e a sua população?

ACB – Obviamente que teve e tem efeitos desastrosos. A Coreia chegou a sofrer com malária e outras enfermidades que nunca existiram no passado. Tal deveu-se ao lançamento de bombas bacteriológicas por parte dos EUA. E depois temos o bloqueio económico que impede o comércio regular com o exterior, diminuindo as possibilidades de importar os medicamentos necessários bem como outros produtos de alta tecnologia do exterior.

DR – Que papel político atribuem na Coreia às grandes cadeias de comunicação social ocidentais?

ACB – As grandes cadeias de comunicação social são basicamente órgãos de propaganda do capital. São financiadas e propriedade de uma mão cheia de multimilionários que manipulam à sua vontade as notícias e conhecimento para manter em erro a população. A imparcialidade jornalística não existe e claro está que à classe privilegiada, a oligarquia, não lhe interessa que o povo se erga ou que se nacionalize a indústria e o ramo imobiliário ao abrigo de um sistema socialista.

DR – Que opinião tem a Coreia do Norte acerca dos movimentos emancipatórios, também denominados de populismos, que surgem na Améria Latina?

ACB – A RDP da Coreia tem por princípio o respeito para com as outras nações na selecção do seu próprio sistema político e de governo. O povo deve ser sempre soberano.

DR – Quais são, actualmente, os aliados estratégicos da Coreia do Norte em questões de política internacional?

ACB – Nenhuns. A RDPC sempre se valeu e continuará a valer por si mesma. Existem países mais próximos e que tradicionalmente têm sido amigáveis, mas no final todos eles velam pelos seus próprios interesses e se os EUA lhes oferecerem um caramelo envenenado rapidamente esquecerão quaisquer vínculos históricos. 

DR – Muito obrigado.

ACB – Encantado.

O original encontra-se em Derecho a Réplica
Tradução © KFA Portugal.
Foto © KCNA

terça-feira, 28 de julho de 2015

Ainda Pyongyang

Flávio Gonçalves - Na semana passada o mundo descobriu que os Laibach vão dar dois concertos este Agosto em Pyongyang, capital da República Democrática Popular da Coreia (vulgo Coreia do Norte). Até aqui tudo bem, o mais deprimente tem sido verificar que da “TIME” até aos jornais e às televisões portuguesas a ida dos Laibach à península coreana tem vindo a ser considerado o “primeiro concerto de uma banda ocidental” ou até “o primeiro concerto rock” a decorrer na Coreia do Norte, algo que como os leitores habituais da minha coluna devem recordar é notoriamente falso uma vez que publiquei aqui n’O DIABO em primeira mão o anúncio da digressão dos Laibach em terras de Kim Jong Un e listei algumas das bandas ocidentais – inclusive dos EUA e cristãs – que já tiveram a honra de tocar ao vivo para o público norte-coreano, ou seja já várias bandas internacionais e ocidentais tocaram em palcos norte-coreanos (em Junho de 1989 até os portugueses Madredeus tocaram) e esta repetição ad nauseum de tamanho erro (ou falsidade) na comunicação social nacional e internacional é extremamente preocupante, já não se pede aos jornalistas dos grandes jornais e canais que vão de chapéu, gabardina e bloco no bolso averiguar os factos do que noticiam, mas ao menos que deem uma vista de olhos aos resultados que podem obter no Google.

O Festival Primaveril de Arte Popular é um evento anual que ocorre em Abril desde 2012 (por ocasião do aniversário do nascimento de Kim Il Sung, celebrado a 15 de Abril), tem lugar em Pyongyang e durante uma semana o povo norte-coreano tem a oportunidade de assistir em primeira mão ao talento de dezenas de artistas estrangeiros bem como a milhares de artistas nacionais. Fora isto, qualquer banda ou artista que queira dar um concerto na República Democrática Popular da Coreia nada mais tem a fazer do que contactar a embaixada coreana mais próxima (no nosso caso será a de Madrid), como muito bem exemplificam os Laibach (normalmente conotados com a “extrema-direita”) o regime norte-coreano não faz discriminações ideológicas na atribuição de vistos, a RDPC não é tão fechada ou bizarra como a pintam e desde Janeiro de 2013 que conta inclusivamente com uma Associação de Amizade Luso-Coreana, associação oficialmente reconhecida pelas autoridades de Pyongyang e criada aquando da visita do embaixador Kim Chun Guk ao nosso país. Quanto à restante comunicação social, acho que teriam muito a ganhar em contratar-me como jornalista averiguador de factos...

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Laibach na Coreia Popular!

Flávio Gonçalves - Os sempre polémicos e joviais eslovenos Laibach anunciaram na passada semana que marcarão presença nas comemorações do 70º aniversário da libertação da península coreana com dois concertos em Pyongyang. Estes dois concertos na República Democrática Popular da Coreia (vulgo Coreia do Norte) foram baptizados de “Digressão do Dia da Libertação” (tradução livre de “Liberation Day Tour”) e serão filmados para um documentário que será lançado em 2016. Fundados há 35 anos os Laibach têm vindo a chocar com a sua estética autoritária (de inspiração tanto fascista como comunista, dependendo do dia), com a sua interpretação marcial de vários sucessos do rock ocidental e, como não podia deixar de ser, com as suas próprias composições e vídeos cuidados (é de bom tom recordar a banda sonora que compuseram para “Iron Sky”, o hilariante filme em que nazis exilados desde o final da Segunda Guerra Mundial numa base secreta na Lua decidem invadir o planeta Terra a bordo de discos voadores – a sequela está prevista para 2016, desta vez com nazis exilados na Terra Oca).

Não são muitas as bandas ocidentais a terem a oportunidade de tocar na Coreia do Norte, numa rápida pesquisa encontramos apenas referência aos cristãos Casting Crowns (afectos à Igreja Baptista dos EUA), à Annie Moses Band e a Eric Clapton, mas uma vez que as deslocações e as relações internacionais no que diz respeito à RDPC ainda estão longe de normalizadas, pese embora as tentativas de aproximação e abertura do regime desde 2008, é possível que outros agrupamentos ocidentais tenham passado por Pyongyang de modo mais discreto. Esta provocação deliberada por parte dos Laibach em tocarem num país visto como pária pelo resto do mundo agrada-me tanto como fã inveterado e como apologista desde sempre dos laços diplomáticos e comerciais com nações que não adoptaram ainda plenamente o modo de vida ocidental, isto enquanto ainda lhes é permitido existir (recordemos o triste destino da Líbia, do Iraque e a guerra em curso na Síria). 

domingo, 14 de junho de 2015

Hillary classifica Rússia, Irão e Coreia do Norte como “ameaças tradicionais” aos EUA


Sputnik - A candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton disse durante o seu primeiro grande discurso de campanha no sábado, em Nova Iorque, que a Rússia, a Coreia do Norte e o Irão são ameaças tradicionais à segurança norte americana.

De acordo com uma recente pesquisa da CNN/ORC, quase 60 por cento dos cidadãos dos EUA crê que Hillary Clinton carece de honestidade e confiabilidade. A mesma pesquisa indicou que Clinton lidera o campo democrata por uma larga margem, com 60 por cento dos prováveis ​​eleitores dizendo que a apoiariam.

“Nenhum outro país do mundo está melhor posicionado para prosperar no século XXI. Nenhum outro país está melhor equipado para enfrentar as ameaças tradicionais de países como Rússia, Coreia do Norte e Irão, e para lidar com a ascensão de novas potências como a China”, disse a candidata democrata no pronunciamento.

A ex-Secretária de Estado dos EUA também enfatizou em seu discurso no Sábado que os Estados Unidos estão preparados para combater ameaças emergentes, tais como ciberataques e as redes globais de terrorismo, em particular referindo-se a expansão do grupo Estado Islâmico (EI).

“Como sua presidenta eu farei o que for preciso para manter a América segura”.

Em 12 de abril, Clinton anunciou que estava concorrendo à presidência dos Estados Unidos para 2016 e lançou sua campanha.

© Sputnik News | Foto Wikicommons/Calebrw

A Associação de Amizade Luso-Coreana


A Associação de Amizade Luso-Coreana (KFA Portugal) é a secção oficialmente reconhecida da Associação de Amizade Coreana em Portugal e foi fundada em Janeiro de 2013 aquando da vinda a Lisboa de Kim Chun Guk, embaixador da República Popular Democrática da Coreia em Roma (que na altura abrangia também o restante território ocidental antes da abertura de uma nova embaixada, em Madrid, em 2014).

Na altura mobilizou-se autonomamente uma rede de voluntários, simpatizantes ou meros curiosos acerca das realidades da Coreia do Norte tendo estes convivido com a delegação norte-coreana ao longo de uma semana finda a qual optaram por se organizar e integrar oficialmente a rede internacional da KFA. 

Foto © Notas Verbais, O Embaixador Kim Chun Guk, residente em Roma, após a entrega ao Presidente da República das cartas credenciais como representante diplomático da R.D.P. Coreia.

História e Propósito da KFA


A Associação de Amizade Coreana (Korean Friendship Society no original, vulgo KFA) foi fundada no ano 2000 com o propósito de erguer e fortalecer os laços internacionais para com a República Democrática Popular da Coreia (RDPC), a associação actualmente inclui membros oriundos de mais de 120 países.

A KFA é uma associação oficialmente reconhecida pelo governo da República Democrática Popular da Coreia e constitui actualmente a maior rede mundial de apoiantes e simpatizantes da Coreia Popular. A KFA conta com instalações próprias na RDPC, em Espanha, na Tailândia e na Bélgica.

Objectivos

A KFA tem como principais objectivos demonstrar a realidade da RDPC ao mundo, defender a independência e a construção socialista da RDP da Coreia, aumentar o conhecimento acerca da cultura e da História do povo coreano e enveredar esforços para a pacífica unificação da Península da Coreia.

Actividades

A KFA obtém dados oficiais directamente de Pyongyang e mantém contacto directo com as autoridades da República Democrática Popular da Coreia, esta situação permite-lhe levar a cabo actividades nas seguintes áreas:

- Organização de exposições públicas acerca da RDPC (com imagens, livros, música…)
- Levar a cabo conferências acerca da história da Coreia e outros aspectos da sociedade coreana.
- Serviço de consultoria em questões de diplomacia e investimentos no país.
- Representar a RDPC na rádio, na televisão e noutros órgãos de comunicação social.
- Intercâmbio cultural entre vários países.
- Contacto directo com associações, empresas, partidos ou indivíduos que tenham algum interesse pela Coreia do Norte.

Hino

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O que preocupa os norte-coreanos?


Gregory Elich - As relações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte atingiram um nadir e, na maior parte dos media ocidentais, fala-se da aparentemente irracional retórica dura vinda de que é acusada a Coreia do Norte. Inexplicavelmente, dizem-nos, a Coreia do Norte optou por elevar a tensão.

O que está a faltar nesta imagem do comportamento hostil norte-coreano e da imaculada inocência americana é contexto. Como é frequente, os media apresentam eventos de um modo isolado como se surgissem subitamente e sem qualquer causa.

É preciso olhar para trás no tempo para perceber o que está a perturbar os norte-coreanos. Em meses recentes, a administração Obama deu um certo número de passos que a RDPC (República Democrática e Popular da Coreia, o nome oficial da Coreia do Norte) considerou ameaçadores.

O primeiro passo no caminho do agravamento das relações ocorreu em Outubro de 2012, quando os Estados Unidos concederam à Coreia do Sul uma isenção sob o Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis, a qual permitiu estender o alcance dos seus mísseis balísticos de modo a que pudessem cobrir todo o território da RDPC. [1] Em consequência, houve um conjunto de termos que se aplicavam a todo o país que houvesse aderido ao tratado e um conjunto diferente que se aplicava só à Coreia do Sul, claramente com o propósito de alvejar o seu vizinho do Norte.

Naquele mesmo mês, responsáveis militares dos EUA e Coreia do Sul encontraram-se para a Reunião anual Consultiva de Segurança, onde acordaram mudanças vastas na sua aliança. Ainda mais importante: eles desenvolveram um plano que denominaram "dissuasão sob medida" ("tailored deterrence"), o qual apela a operações militares conjuntas sul-coreanas-estado-unidenses contra a Coreia do Norte num certo número de cenários, incluindo incidentes menores. Qualquer "provocação" por parte da Coreia do Norte é para respondida com força desproporcionada e, segundo responsáveis militares sul-coreanos, "esta estratégia será aplicada tanto em tempo de paz como de guerra". [2]

Uma componente essencial da dissuasão sob medida é uma "cadeia de destruição" ("kill chain") para rastrear e atacar sítios de mísseis norte-coreanos, em que satélites e drones americanos detectam alvos e mísseis e aviões de guerra sul-coreanos eliminam-nos. O plano apela a um ataque antecipativo (preemptive) baseado na percepção de um lançamento iminente de mísseis norte-coreanos. O vice-comandante do Comando Coreia das Nações Unidas, general Jan-Marc Jouas, explicou que mísseis norte-coreanos podiam ser rapidamente alvejados "antes de estarem em posição de serem empregados". [3] Para dizer isso em termos simples, poderia ser lançado um ataque a sítios de mísseis com base em suposições, mesmo quando mísseis norte-coreanos não estivessem numa posição de fogo.

Em 13 de Abril de 2012, a RDPC lançou em órbita um satélite de observação da terra, o que disparou condenações pela administração Obama, com a acusação de ser um teste disfarçado de míssil balístico. Resoluções da ONU proíbem a Coreia do Norte de testar mísseis balísticos, mas Pyongyang argumentou que enviar um satélite para o espaço não é a mesma coisa que efectuar um teste de míssil balístico. Peritos em tecnologia de mísseis tendem a concordar, destacando que ao míssil lançado pela RDPC faltava o desempenho para servir de ICBM e que a rota do seu voo adoptou uma viragem aguda para evitar voar sobre Formosa e as Filipinas, uma acção que é contra-producente para um teste de míssil balístico. [4]

Vasos navais sul-coreanos conseguiram recuperar destroços do míssil norte-coreano. Análises efectuadas mostravam que um motor pequeno com um baixo impulso de 13 a 14 toneladas propulsionaram o segundo estágio. O engenheiro aeroespacial Marcus Schiller, baseado de Munique, informou que um segundo estágio de baixo impulso e queima longa, tal como o utilizado pelos norte-coreanos, é precisamente a concepção necessária para um lançados de satélite. Tal concepção é necessária para atingir uma altitude suficientemente elevadas para colocar um satélite em órbita. Essa concepção, contudo, é inadequada para um teste de míssil balístico, pois ela faria perder mais de 1000 km de alcance. Para testar um míssil balístico, o segundo estágio deveria ter a concepção oposta, tendo um alto impulso e tempo de queima curto. Schiller conclui que relatos dos media ocidentais de que o satélite norte-coreano serviu como teste de míssil balístico "não são verdadeiros". [5]

Michael Elleman, analista de segurança do International Institute for Strategic Studies, observa que os resultados de um lançamento de satélite "têm aplicação limitada para mísseis balísticos", pois só fracções das questões em causa podem ser testadas. "Outras exigências, mais notavelmente tecnologias de re-ingresso e exigências de flexibilidade operacional, não podem ser tratadas adequadamente por lançamentos de satélites". Elleman informa que por estas e outras razões, lançamentos de mísseis com satélite pela Coreia do Norte "não são um substituto para o teste de mísseis balísticos". [6]

Curiosamente, no mesmo dia em que a Coreia do Norte lançou o seu satélite para o espaço, a Índia, outra potência nuclear, testou o disparo de um míssil balístico sem que responsáveis americanos expressassem uma queixa. [7] Os Estados Unidos não estão faltos de engenheiros aeroespaciais e responsáveis dos EUA certamente estavam consciente de que o lançamento do satélite da Coreia do Norte não podia tecnologicamente ser interpretado como um teste de míssil balístico disfarçado. Parece que a administração Obama deliberadamente optou por falsear a natureza do lançamento a fim de promover os seus próprios fins políticos.

O lançamento do satélite proporcionou à administração Obama uma oportunidade para endurecer o nó corrediço em torno da Coreia do Norte e, após negociações extensas, conseguiu pressionar uma resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Como explicou a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, a intenção da administração Obama era "continuar a aumentar a pressão sobre o regime norte-coreano. E estamos a procurar a maneira de melhor fazer isso, a avançar tanto bilateralmente como com nossos parceiros. Até que eles obtenham a mensagem, vamos ter de continuar a fomentar o isolamento deste regime". [8]

Com a aprovação da resolução 2087 de 22/Janeiro/2013 do Conselho de Segurança da ONU, novas sanções foram impostas à Coreia do Norte, apesar do facto de que o tratado internacional do espaço exterior garante o direito de explorar o espaço a "todos os estados sem discriminação de qualquer espécie". [9]

A Coreia do Norte reagiu furiosamente por ser discriminada como o único país sobre a terra ao qual é negado o direito de lançar um satélite. A RDPC não tendia a anuir à imposição de sanções adicionais, quando a sua economia já estava a cambalear com as sanções existentes. Um porta-voz da RDPC destacou que ao forçar a resolução no Conselho de Segurança, os Estados Unidos haviam violado a Carta das Nações Unidas, a qual declara que "a Organização é baseada no princípio da igualdade soberana de todos os seus membros".

Falando nas Nações Unidas, o delegado da RDPC, So Se Pyong, declarou: "Houve não menos de 2000 testes nucleares e pelo menos 9000 lançamentos de satélite no mundo desde que a ONU existe, mas nunca houve uma única resolução do seu Conselho de Segurança que proibisse testes nucleares e lançamentos de satélites". Acrescentando que o Estados Unidos havia executado mais testes nucleares e lançamentos de satélite do que qualquer outro país, o delegado disse que não deveria ser permitido aos Estados Unidos bloquearem a Coreia do Norte exercerem o seu direito "a utilizar o espaço para fins pacíficos", nem utilizar as Nações Unidas "como uma ferramenta para executar a sua política hostil para com a RDPC". [10]

Sem qualquer surpresa, a Coreia do Norte optou por exprimir a sua resistência à agressividade da política estado-unidense efectuando o seu terceiro teste nuclear em 12 de Fevereiro de 2013. Vários dias depois, numa aparente referência ao Iraque e à Líbia, os media norte-coreanos recordaram os destinos que haviam acontecido àqueles países que haviam abandonado suas armas nucleares em resposta à pressão estado-unidense. Estes exemplos, acrescentavam, "ensinam a verdade de que a chantagem nuclear dos EUA deveria ser contida com contra-medidas substancial, não com compromisso ou retirada". [11]

Um dia após o teste nuclear, o Ministério da Defesa Nacional sul-coreano anunciou que havia instalado mísseis de cruzeiro capazes de atingir qualquer lugar na Coreia do Norte e que aceleraria o desenvolvimento de mísseis balísticos de alcance semelhante. Além disso, a implementação da cadeia de destruição (kill chain) seria acelerada.[12] Planeada originalmente para estar completa em 2015, a cadeia de destruição está agora em vias de estar instalada no fim deste ano. [13]

Enquanto decorriam discussões no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a imposição de sanções adicionais à Coreia do Norte, a União Europeia avançou com o seu próprio conjunto de medidas, incluindo uma proibição de comércio com entidades públicas norte-coreanas e de comércio com títulos públicos da RDPC. A UE também aplicou uma proibição à abertura de bancos europeus na RDPC e de bancos norte-coreanos estabelecerem uma agência na UE. [14]

Levou mais de três semanas para negociar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU em resposta ao teste nuclear norte-coreano. A questão mais contenciosa era incluir ou não o Capítulo 7, Artigo 42, o qual teria autorizado imposição militar. Tanto os Estados Unidos e a Coreia do Sul argumentaram fortemente pela sua inclusão. Outra questão difícil era a inspecção de navios cargueiros norte-coreanos e houve discussão extensa antes de os Estados Unidos e a China acordarem na extensão de inspecções. [15]

Os chineses recusaram-se a acordar na imposição militar, certamente temendo que isso aumentaria o risco de guerra. Nem acompanharam algumas das medidas mais duras que os Estados Unidos haviam incluído, como uma lista de desejos na sua minuta. [16] A imposição militar teria sido particularmente perigosa, dada história de como o Artigo 42 serviu de caminho para os Estados Unidos travarem guerra.

Embora os Estados Unidos não obtivessem tudo o que queriam, a aprovação da Resolução 2094 em 7 de Março de 2013 pelo Conselho de Segurança da ONU atingiu muitos dos objectivos que advogavam. A resolução exige a todos os países que inspeccionem navios e aviões norte-coreanos que forem suspeitos de transportarem bens proibidos. Restrições fortes são aplicada a operações bancárias norte-coreanas. É ordenado a países que impeçam indivíduos norte-coreanos de transferirem volume de dinheiro (bulk cash), incluindo pessoal diplomático, que passam a estar sujeitos a "vigilância agravada" em violação da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. [17] Ao visar diplomatas norte-coreanos para vigilância, buscas e detenção, os Estados Unidos têm como objectivo eliminar um dos poucos meios remanescentes que a RDPC tem para envolver-se em transacções monetárias internacionais. As sanções bancárias da ONU e dos Estados Unidos fizeram com que a maior parte dos bancos internacionais ficassem pouco desejosos de ter transacções com a Coreia do Norte, forçando a RDPC a efectuar grande parte do seu comércio exterior na base de cash.

É a medida de restringir negócios de bancos com a Coreia do Norte que promete infligir o maior dano à economia norte-coreana. "Perseguir o sistema bancário de um modo universal é comprovadamente a coisa mais forte na lista", observa antigo responsável do Departamento de Estado J. R. Revere. "Isto começa a morder na capacidade da Coreia do Norte para financiar muitas coisas". [18] Primariamente o comércio normal, dever-se-ia notar.

Poucos dias depois, o Departamento do Tesouro dos EUA avançou com as suas próprias sanções, proibindo transacções entre o Foreign Trade Bank da Coreia do Norte e indivíduos e negócios estado-unidenses, e colocando um congelamento sobre activos mantidos sob jurisdição dos EUA. O Foreign Trade Bank, destaca o Departamento do Tesouro, é "o banco primário do intercâmbio externo da Coreia do Norte". [19] A proibição efectivamente impede bancos e empresas em outros países de comerciarem com o Foreign Trade Bank, por temor de serem excluídos do contacto com o sistema financeiro dos EUA. "Quando há um banco estrangeiro com que bancos dos EUA não estejam a fazer negócios, bancos em outros países começam a evitar transacções com ele", observa um especialista financeiro. "Eles ficam preocupados acerca de sofrerem eles próprios as consequências". Tipicamente, o comércio internacional está baseado no dólar, exigindo transacções a processar através do sistema financeiro estado-unidense. Por essa razão, "bancos chineses não vão ser capazes de ajudar a Coreia do Norte", acrescenta o analista financeiro. [20]

Pelo seu lado, a Coreia do Sul adoptou políticas que agravam o perigo de guerra. Segundo um responsável militar sul-coreano, "Foi dada aos comandantes a autoridade para actuarem primeiro à vontade no caso de uma provocação norte-coreana para infligir uma retaliação que é mais de dez vezes tão dura quanto o nível da provocação". [21] O Director de Operações do Estado Maior das Forças Armadas, Kim Yong-hyon, declara que em resposta a um incidente as forças armadas sul coreanas "punirão resolutamente não só a origem da provocação como também suas forças que comandam". [22] Não é preciso muita imaginação para reconhecer como tal política tem o potencial para transformar uma escaramuça menor numa guerra.

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul assinaram recentemente um plano de contra-provocação, no qual forças estado-unidenses são comprometidas a providenciar apoio quando forças sul-coreanas ataquem um alvo norte-coreano. O plano esclarece acções que devem ser tomadas como resposta a vários cenários. De acordo com um responsável militar sul-coreano, ele leva em conta a política sul-coreana "a qual apela ao lançamento de contra-ataque não só para a origem da provocação como também a forças que a apoiam e seus comandantes". Em alguns cenários "armas estado-unidenses podiam ser mobilizadas para retaliar em águas territoriais e solo da Coreia do Norte". [23] O plano de contra-provocação requer à Coreia do Sul consultas com os Estados Unidos antes de entrar em acção, mas se Seul requerer assistência os Estados Unidos não podem recusar-se a tomar parte em operações militares. [24]

Numa poderosa demonstração destinada a intimidar a Coreia do Norte, os Estados Unidos e a Coreia do Sul começaram o seu exercício militar anual Resolução Chave (Key Resolve) em 11 de Março, sobrepondo-se ao exercício militar de dois meses Foal Eagle que começou a primeiro de Março. Durante o exercício, bombardeiros B-52 com capacidade nuclear decolaram de Guam e praticaram o despejo de munições na Coreia do Sul. [25] Os comandantes estado-unidenses sabiam que esta acção inflamaria sensibilidades norte-coreanas, dadas as dolorosas memórias que os norte-coreanos têm da Guerra da Coreia, quando bombardeiros estado-unidenses executaram uma política de terra queimada e arrasaram toda cidade norte-coreana até ao solo.

Os Estados Unidos mais uma vez agravaram a pressão sobre a RDPC com o envio do submarino USS Cheyenne, movido a energia nuclear, equipado com mísseis Tomahawk, para participar no Foal Eagle. [26] Logo após, bombardeiros B-2 Stealth voaram sobre a Coreia do Sul em exercícios militares. "Como o B-2 tem a função de invisibilidade ao radar, ele pode penetrar a defesa anti-aérea para lançar armas convencionais e nucleares", comentou um responsável militar. "É a arma estratégica mais temida pela Coreia do Norte". [27] O B-2, dever-se-ia notar, é o único avião capaz de entregar a bomba Massive Ordnance Penetrator de 30 mil libras [13.590 kg], a qual pode perfurar através de 200 pés [61 m] de betão antes de detonar. O avião também pode transportar múltiplas armas nucleares. Continuando a escalar a demonstração de força, os Estados Unidos enviaram a seguir aviões de combate F-22 Stealth à Coreia do Sul. [28] O governo sul-coreano pediu aos Estados Unidos para não mostrar os aviões em público porque isso seria uma provocação desnecessária à Coreia do Norte. O pedido foi desatendido pelos Estados Unidos. [29]

Num aumento do arsenal sul-coreano, os Estados Unidos aprovaram a venda de 200 bombas destruidores de bunkers, adequadas para alvejar instalações subterrâneas norte-coreanas. Os planos exigem que as bombas seja instaladas até o fim do ano. [30] A Coreia do Sul também planeia comprar à Europa 200 mísseis de cruzeiro Taurus, lançados do ar, os quais são capazes de penetrar até seis metros de betão reforçado. [31]

Como parte do seu planeamento para contingências futuras, os Estados Unidos constituíram uma organização militar responsável pela entrada na Coreia do Norte e captura de instalações e armas nucleares no caso de uma crise na RDPC. Naquele cenário, as forças dos EUA também prenderiam "figuras chave" e reuniriam informação classificada. Não foi revelado quais indivíduos norte-coreanos seriam sujeitos a prisão pelas forças dos EUA. A força seria composta por forças armadas dos EUA, operacionais de inteligência e pessoal anti-terrorismo. Um ensaio de imitação a implementar o plano fez parte dos exercícios Key Resolve recentemente concluídos. [32]

Tendo feito tudo para provocar os norte-coreanos, a administração Obama agarrou a oportunidade para apontar a sua reacção como justificação para instalar uma lista de desejos (wish list) de hardware anti-míssil. O Pentágono anunciou que estacionaria 14 interceptadores de mísseis adicionais em Fort Greely, Alasca e prosseguiria com o seu plano de colocar um segundo radar anti-míssil no Japão. [33] Uma bateria Terminal High-Altitude Area Defense (THAAD) é prevista ser exibida em Guam na sua primeira instalação, [34] e a plataforma SBX-1 X-Band Radar com base no mar está a mover-se para o Pacífico ocidental, que a Marinha diz poder ser o primeiro de outros posicionamentos navais. [35]

Wall Street Journal relata que o espectáculo de força militar foi planeado antecipadamente, no que a administração Obama denominou "o manual de estratégia" ("the playbook"). Os Estados Unidos actuaram com intenção deliberada de ameaçar a Coreia do Norte. Segundo o artigo, a administração decidiu colocar o manual em "pausa" só quando os media revelaram a deslocação de dois destróiers com mísseis guiados para o Pacífico ocidental e foi sentido que talvez esta notícia arriscasse pressionar os norte-coreanos demasiado longe. O posicionamento dos destróiers, como foi dito, não era para ser publicitado. Os próximos passo no manual foram adiados. [36] Também foi informado que os Estados Unidos adiarão um voo de teste de um Minuteman ICBM em um mês a fim de não aumentar tensões.

A percepção que a administração Obama pretende transmitir ao público americano e mundial, portanto, é que os Estados Unidos estão a actuar responsavelmente a fim de neutralizar a situação. Um alto responsável da defesa, entretanto, disse: "Não havia ordem de segredo da Casa Branca" em relação ao posicionamento dos destróiers. Além disso, hardware militar recentemente posicionado não foi retirado, ao passo que o exercício combinado em grande escala dos EUA-Coreia do Sul, Foal Eagle, no degrau da porta da Coreia do Norte continua sem pausa. [37]

Apesar das afirmações de que está a amortecer suas acções, a administração Obama está a fazer o oposto. Responsáveis dos EUA dizem que não pretendem entrar novamente em combate com a RDPC. [38] A dissuasão sob media e a cadeia de destruição estão em programação acelerada, colocando a Península Coreana à beira da guerra. Enquanto isso, os Estados Unidos estão a trabalhar arduamente para persuadir outros países a sancionarem o Foreign Trade Bank da RDPC e estão a considerar outros meios pelos quais possam levar a Coreia do Norte ao colapso económico. Um responsável anónimo do Departamento de Estado dos EUA observou que ainda havia espaço para a ampliação de sanções. "Não sei o que acontecerá, mas não alcançámos o limite, ainda há espaço para mais, e temos de tentar". [39]

Responsáveis dos EUA pediram à União Europeia para sancionar o Foreign Trade Bank e novas discussões são expectáveis de acordo com estas linhas. [40] O Japão e a Austrália já concordaram e juntar-se aos Estados Unidos no sancionamento do banco, tanto o responsável do Departamento do Tesouro David Cohen como o secretário do Tesouro Jack Levy pediram à China para fazer o mesmo. [41] O presidente Obama fez um telefonema pessoal ao presidente chinês Xi Jinping, instando-o a sancionar o Foreign Trade Bank e responsáveis dos EUA continuam a pressionar a China, insistindo em que se a China não "tomar posição" sobre a Coreia do Norte os EUA aumentarão suas forças militares na Ásia. [42]

Essa consequência, os chineses certamente percebem, seria voltada tanto contra eles como contra a Coreia do Norte. A opção que a administração Obama está a oferecer é que os chineses possam ou observar os Estados Unidos expandirem sua militarização da região e endurecerem o seu cerco da China, ou dobrarem-se à pressão americana e cooperarem provocando a ruína económica da Coreia do Norte. É provável que ao escolher a última opção os chineses venham a descobrir que os Estados Unidos não têm intenção de reduzir seu eixo central na Ásia e a sua presença militar na região cresceria sem dificuldades.

Uma fonte diplomática revela que quer a China concorde ou não em acompanhar os pedidos estado-unidenses, o efeito sobre a economia da Coreia do Norte pode ser o mesmo. "O que o governo dos EUA está à procura de aplicar pressão psicológica sobre bancos chineses. Se bancos dos EUA evitarem transacções com bancos chineses que têm laços com bancos norte-coreanos na lista negra ou outras entidades, isso podia levar a efeitos semelhantes àqueles das sanções do boicote secundário". [43]

Sem qualquer dúvida, os responsáveis e os media norte-coreanos têm estado a emitir proclamações de cortar o fôlego, a efectuar acções como cortar a linha telefónica militar com a Coreia do Sul, a anunciar a intenção de reiniciar o reactor nuclear de Yongbyon e a encerra temporariamente o Complexo Industrial de Kaesong, o que parece exacerbar tensões de forma imprudente. Contudo, há lógica no seu comportamento. A administração Obama nunca quiz negociar com a Coreia do Norte e, claramente, pretende efectuar mudança de regime quando acumula sanções sobre sanções e desenvolve planos militares que ameaçam a existência da RDPC. Com efeito, acções dos EUA encorajaram a Coreia do Norte a desenvolver um programa de armas nucleares como seu único dissuasor realista contra ataques, dada a tecnologia obsoleta do seu armamento convencional.

Entretanto, responsáveis norte-coreano sabem que os EUA sabem que eles não têm uma arma nuclear utilizável, nem têm um veículo de entrega adequado. A RDPC tem opções limitadas e, por agora, responsáveis norte-coreanos aparentemente sentem que têm apenas duas opções. Podem ou aceitar docilmente ciclo após ciclo de punição enquanto testemunham desamparadamente o dano crescente à sua economia e as ameaças à sua nação, ou podem reforçar a sua retórica como meio de enviar uma mensagem aos Estados Unidos. Essa mensagem é de que se o Estados Unidos atingirem a Coreia do Norte obterão uma resposta mais forte do que esperam, que deveriam pensar duas vezes antes de atacar e que quanto mais os Estados Unidos exercerem pressão, mais a RDPC resistirá.

Infelizmente, isto produz um ciclo de realimentação (feedback loop), em que quanto mais os Estados Unidos punem a RDPC, mais fortemente os norte-coreanos resistem e, quanto mais resistem, mais punição vem a seguir. O único meio aparente de sair deste impasse é um processo de paz, mas a administração Obama permanece obstinadamente oposta a negociações.

O analista de assuntos internacionais Chen Qi, da Universidade Tsinghua, destaca que os Estados Unidos "não respeitaram as preocupações de segurança da RDPC e que está é a razão porque a questão nuclear na Península Coreia não foi resolvida". Chen sugere que "Washington pode querer que a questão nuclear de Pyonyang seja resolvida porque proporciona uma desculpa para a instalação de sistemas anti-mísseis e penetrações militares na região, as quais estão alinham-se com o seu reequilíbrio militar no Extremo Oriente". [44] Os responsáveis dos EUA, deveria ser mantido em mente, nunca esconderam o seu desejo de provocar mudança de regime na Coreia do Norte, sem se importar com os perigos dessa política.

Uma mudança na política estado-unidense pode nunca acontecer a menos que a Coreia do Sul abra o caminho com firmeza e isso é uma perspectiva improvável no presente. Uma tal mudança pode ter de esperar cinco anos, quando a próxima eleição presidente tiver lugar na Coreia do Sul. Isto é um longo tempo, dados os planos estado-unidenses para elevar tensões na Península Coreana. Se a Coreia do Sul não demonstrar liderança para uma abordagem alternativa antes disso, a questão é por quanto tempo tensões podem ferver sem transbordar uma crise perigosa.
NOTAS 
1 http://www.counterpunch.org/2012/10/18/militarizing-south-korea/

2 http://www.kpolicy.org/documents/interviews-opeds/ 121204gregoryelichmappingthefutureussk.html

3 http://www.kpolicy.org/documents/interviews-opeds/ 121204gregoryelichmappingthefutureussk.html

4 http://www.globalresearch.ca/putting-the-squeeze-on-north-korea/53216

5 David Wright, "Markus Schiller's Analysis of North Korea's Unha-3 Launcher," All Things Nuclear, February 22, 2013.

6 Michael Elleman, "Prelude to an ICBM? Putting North Korea's Unha-3 Launch into Context," Arms Control Association, March 2013.

7 http://www.globalresearch.ca/putting-the-squeeze-on-north-korea/5321689

8 http://www.globalresearch.ca/putting-the-squeeze-on-north-korea/5321689

9 http://www.oosa.unvienna.org/oosa/SpaceLaw/outerspt.html

10 "DPRK Delegate Makes Speech at UN Special Committee Session," KCNA, February 23, 2013.

Stephanie Nebehay, "North Korea Blames U.S. for Tension on Peninsula," Reuters, February 27, 2013.

11 "Nuclear Test, Part of DPRK's Substantial Countermeasures to Defend its Sovereignty: KCNA Commentary," KCNA, February 21, 2013.

12 Kim Eun-jung, "S. Korea Beefs Up Integrated Air and Missile Defense," Yonhap, February 13, 2013.

Kim Hee-jin, "Military Deploys Cruise Missiles in Reaction to North," JoongAng Ilbo, February 14, 2013.

13 "S.Korea, US to Discuss Stopping NK's Nuclear Program," Dong-A Ilbo, February 21, 2013.

14 Adrian Croft, "EU to Tighten Sanctions on North Korea after Nuclear Test," Reuters, February 15, 2013.

15 Lee Chi-dong, "'Strongest Sanctions' on NK, Output of Artful U.N. Diplomacy," Yonhap, March 8, 2013.

"S. Korea Seeks U.N. Resolution with Military Means Against N. Korea," Yonhap, February 15, 2013.

Park Hyun and Park Min-hee, "US and China Butting Heads over North Korea," Hankyoreh, February 15, 2013.

16 Peter Ford, "China Agrees to Sanction North Korea, but How Far will it Go?," Christian Science Monitor, March 6, 2013.

17 Security Council SC/10934, "Security Council Strengthens Sanctions on Democratic People's Republic of Korea in Response to 12 February Nuclear Test," UN Security Council, March 7, 2013.

Park Hyun, "UN Expected to Pass Exceptionally Tough Sanctions on North Korea," Hankyoreh, March 7, 2013.

18 Rick Gladstone, "U.N. Resolution to Aim at North Korean Banks and Diplomats," New York Times, March 5, 2013.

19 Press Release, "Treasury Sanctions Bank and Official Linked to North Korean Weapons of Mass Destruction Programs," U.S. Department of Treasury, March 11, 2013.

20 Park Hyun, "New Unilateral US Sanctions Target North Korean Banks," Hankyoreh, March 14, 2013.

21 Kim Kui-kun, "North's Threat Offensive…Signing of 'ROK-US Counter Provocation Plan' Delayed," Yonhap, March 12, 2013.

22 Yi Yong-chong, "Secures Coordinates for a Commander's Office of the North; If Missile Launched Against It," JoongAng Ilbo, March 11, 2013.

23 Song Sang-ho, "Korea, U.S. Set Up Plan to Counter N.K. Provocation," Korea Herald, March 24, 2013.

24 Hong Jin-su, "U.S. Military Will Intervene Under Certain Conditions Following North Korean Provocation," Kyunhyang Shinmun, March 25, 2013.

25 Lee Chi-dong, "B-52 Bombers in Korea Show U.S. Defense Commitment: Pentagon," Yonhap, March 19, 2013.

26 Kang Seung-woo, "Nuclear Sub Joins ROK-US Joint Naval Drill," Korea Times, March 20, 2013.

27 Kim Eun-jung, "U.S. B-2 Stealth Bomber Conducts First Drill in Korea," Yonhap, March 28, 2013.

28 Paul Eckert, "U.S. Stealth Jets Join South Korea Drills Amid Saber-Rattling," Reuters, March 31, 2013.

29 "F-22 Stealth Jets Join Drills in S.Korea," Chosun Ilbo, April 2, 2013.

30 Kim Eun-jung, "U.S. B-2 Stealth Bomber Conducts First Drill in Korea," Yonhap, March 28, 2013.

Song Sang-ho, "B-2 Stealth Bombers Conduct Firing Drills on Peninsula," Korea Herald, March 28, 2013.

31 "S.Korea to Buy Bunker-Buster Missiles from Europe," Chosun Ilbo, April 4, 2013.

32 "Pres. Park Urges Preventing NK from 'Daring' to Launch Attack," Dong-A Ilbo, April 3, 2013.

"'US Organ to Take Over NK Nuke Facilities in Case of Crisis," Dong-a Ilbo, March 7, 2013.

33 Kate Brannen, "North Korea Sparks Missile Defense Upgrade in Alaska," Politico, March 15, 2013.

Phil Stewart and David Alexander, "U.S. to Bolster Missile Defenses to Counter North Korea Threat: Hagel," Reuters, March 15, 2013.

34 Julian E. Barnes and Adam Entous, "With an Eye on Pyongyang, U.S. Sending Missile Defenses to Guam," Wall Street Journal, April 3, 2013.

35 Barbara Starr, Jethro Mullen and K.J. Kwon, CNN, April 1, 2013.

36 Adam Entous and Julian E. Barnes, "U.S. Dials Back on Korean Show of Force," Wall Street Journal, April 3, 2013.

37 Kevin Baron, "Who Exactly Ordered Those Destroyers Against Korea?," The E-Ring (Foreign Policy), April 4, 2013.

38 Jay Solomon and Julian E. Barnes, "North Korea Warned," Wall Street Journal, March 29, 2013.

39 Adrian Croft, "U.S. Wants EU to Put North Korean Bank on Sanctions List," Reuters, March 25, 2013.

40 Adrian Croft, "U.S. Wants EU to Put North Korean Bank on Sanctions List," Reuters, March 25, 2013.

41 Antoni Slodkowski and Warren Strobel, "Japan, Australia to Sanction North Korean Bank as Part of U.S.-Led Crackdown," Reuters, March 26, 2013.

"U.S. Urges Nations to Cut North Korea's Financial Link," CBS News, April 5, 2013.

42 Mark Landler, "Detecting Shift, U.S. Makes Case to China on North Korea," New York Times, April 5, 2013.

43 Lee Chi-dong, "U.S. Officials Discussing Iran-Style Sanctions on N. Korea: Source," Yonhap, March 20, 2013.

44 Scott Murdoch, "Beijing Tells US to Tone Down North Korea Threats," The Australian, February 19, 2013. 


Do mesmo autor:
  • http://resistir.info/asia/missile_mania_p.html , 30/Junho/2006 
  • http://resistir.info/asia/coreia.html , 12/Janeiro/2003

    [*] Do Conselho de Directores do Jasenovac Research Institute , do Conselho Consultivo do Korea Policy Institute e da Korea Truth Commission, autor de Strange Liberators: Militarism, Mayhem, and the Pursuit of Profit . 


    O original encontra-se em www.counterpunch.org/2013/04/09/whats-annoying-the-north-koreans/ 

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • quinta-feira, 4 de abril de 2013

    Não reajamos de modo excessivo ao brandir do sabre norte-coreano



    Ron Paul - A tensão na península da Coreia atingiu um novo pico, à medida que os EUA e a Coreia do Sul trocam ameaças com o governo da Coreia do Norte. A Coreia do Norte ameaçou retaliar contra as provocações dos EUA/Coreia do Sul e abjurou, dizem, o armistício que acabou com a Guerra da Coreia há uns 60 anos.
    No lado oposto, os EUA e a Coreia do Sul levaram a cabo, o mês passado, um exercício militar naval durante três dias que incluiu, para além de outros vasos de guerra, um submarino nuclear americano. Este mês, os EUA e a Coreia do Sul levam a cabo outro exercício militar conjunto, desta vez utilizando bombardeiros B-52 americanos, capazes de transportar bombas nucleares, sobre a península da Coreia.
    Esta escalada muito deve à redacção, por parte dos EUA, de um novo conjunto de sanções que o Conselho de Segurança da ONU deverá impor à Coreia do Norte. O embaixador dos EUA para a ONU, Susan Rice, que delineou a linguagem, prometeu que estas novas sanções “irão fazer mossa e uma bela mossa”. É improvável, dado o notório registo do insucesso das sanções. Contudo, o governo norte-coreano retaliou contra as novas sanções ameaçando lançar um míssil nuclear contra os EUA.
    A reacção dos EUA foi absolutamente previsível. Em vez de tentar baixar o tom, o recém-nomeado Secretário da Defesa, Chuck Hagel, anunciou que o Pentágono, que ainda há poucas semanas afirmava que a “contenção” orçamental iria deixar os EUA indefesos, iria despender mais um milhão de dólares no reforço de novos interceptores anti-míssil ao longo da costa do Pacífico. Tal significa mais dinheiro e mais empregos para o complexo industrial militar que, na verdade, nunca se debateu com qualquer aperto de cinto, dado ambos os partidos partilharem da opinião de que o aparato militar na verdade é uma espécie de programa de empregos.
    O Secretário Hagel, no decorrer do anúncio do aumento despesista de mil milhões, pareceu mais um falcão do que a pomba que os seus defensores esperavam, afirmando que “iremos fortalecer a defesa pátria, manter os compromissos para com os nossos aliados e os nossos parceiros e mostrar ao mundo, de modo claro, que os Estados Unidos se mantêm firmes contra a agressão [externa].” Obviamente, os exercícios militares mensais conjuntos dos EUA com a Coreia do Sul nas proximidades das fronteiras da Coreia do Norte não são considerados como uma agressão. Só o belicismo norte-coreano é que é. Questiono-me como reagiria a Administração Obama caso os chineses e os mexicanos levassem a cabo exercícios militares conjuntos ao largo da fronteira do Texas.
    Como acabará isto? Pelo andar da coisa, mal. O manual da política externa dos EUA tem só uma página: fazer sempre aquilo que não funcionou no passado uma e outra vez e esperar que de futuro comece a funcionar.
    A questão que se coloca é o porquê de ainda estarmos na Coreia. Por que é que, passados 60 anos, os militares dos Estados Unidos ainda se encontram a ocupar a Coreia do Sul, a patrulhar a sua fronteira, a imiscuir-se na disputa entre o Norte e o Sul? O que teria acontecido se os EUA não mantivessem tamanho poderio na Coreia, forçando a criação de uma Zona Desmilitarizada (DMZ) e fazendo com que famílias espalhados pelos dois lados não possam manter contacto?
    A opinião mais popular é por a Coreia do Norte ser uma ditadura isolada governada por gente irracional, a única reacção possível por parte dos EUA é manter a situação militarizada. Manter a ameaça militar. Continuar a provocar. E sempre que possível, impor mais sanções redigidas pelos EUA. Contudo, a principal razão pela qual a Coreia do Norte se encontra isolada são as políticas isolacionistas do governo dos EUA. É isolacionismo impor sanções, proibir os americanos de efectuarem negócios, impedi-los ou proibi-los de viajar para países com os quais o governo dos EUA se encontra em desacordo. A Coreia do Norte encontra-se isolada em boa parte porque o novo governo a isolou. A Coreia do Norte ameaça atacar a Coreia do Sul e os Estados Unidos em boa parte por estes insistirem em levar a cabo exercícios militares extremamente provocatórios ao largo da sua fronteira. Tal não quer dizer que eu seja favorável ao governo da Coreia do Norte. Longe disso. Nem que acredite que este seja necessariamente a favor da paz. Mas sei reconhecer quando uma política é contra produtiva.
    Estou longe de ser um isolacionista. Acredito que nos devemos envolver com o resto do mundo, mas não pela força ou pelas armas ou interferindo no desenvolvimento político interno de cada um. Devemos envolver-nos com as nossas ideias, aproximando as pessoas em vez de construir muralhas ou DMZs para os dividir. Uma alteração na nossa política pode não causar uma abertura ou uma melhoria instantânea, mas não tentámos já e durante bastante tempo a velha e falhada alternativa? Continuar a provocar a Coreia do Norte augurará acalmar ou piorar ainda mais as coisas?
    Qual é a verdadeira “ameaça coreana”? A verdadeira “ameaça coreana” é a ameaça que constitui para a economia dos EUA uma reacção excessiva ao brandir do sabre por parte de um país do Terceiro Mundo, gastando milhares de milhões de dólares com o aparato militar. Não temos como pagar este império e mais cedo ou mais tarde este irá acabar.
    25 de Março de 2013
    Ron Paul foi membro do Congresso dos Estados Unidos pelo Partido Republicano.

    sábado, 9 de março de 2013

    "As sanções contra a RDPC são uma inutilidade"



    Georgy Toloraya, director do Instituto de Economia da Academia das Ciências da Rússia, defendeu que as novas “sanções” contra a RDPC são injustas. Tal ocorreu no decorrer de uma entrevista que deu à ITAR-TASS, a seis de Março.

    Caso o Conselho de Segurança da ONU adopte a “resolução” referente à RDPC tal só irá deteriorar ainda mais a situação, afirmou acrescentando ainda:

    “A adopção da ‘resolução’ obterá uma reacção negativa por parte da RDPC, incluindo uma reacção militar aos exercícios militares conjuntos dos EUA com a Coreia do Sul, novos testes nucleares e mais lançamentos de mísseis.

    A dita ‘resolução’ irá deteriorar a situação da Península Coreana. Mais vale não haver este género de ‘resoluções’.

    É extremamente claro que as ‘sanções’ não terão qualquer efeito.

    As ‘sanções’ serão completamente fúteis se tiverem por objectivo seduzir a RDPC de modo a que esta altere as suas acções. As ‘sanções’ só vão fazer com que a situação piore.

    O agravamento da situação na Península Coreana vai contra os interesses da Rússia.”

    Com tecnologia do Blogger.